domingo, 7 de julho de 2013

Praça Taksim , e os “garotos” irrevogáveis .

        Esta semana voltei a estar fora do País, e ainda bem. Fiquei blindado ao espectáculo deprimente e deplorável. Em Istanbul, por razões de segurança, foi–me aconselhado a  mudar o Hotel que me foi reservado na proximidade da a Praça Taksim . Assim foi, e a semana  foi tranquila por essa via.  Os mercados também registavam boas noticias , como mais uma intervenção notável de Draghi , nos estímulos convincentes á economia. Draghi é na minha opinião o único “gigante” no contexto político e executivo Europeu. Do outro lado do Atlântico as noticias eram também boas : dados sólidos no crescimento e na criação de emprego. Tudo corria bem. No entanto foi subitamente surpreendido pelos meus colegas questionando-me sobre o que se estava a passava em Portugal !? isto porque as bolsas estavam em colapso. Imediatamente percebi o que se passava. Paulo Portas tinha-se demitido. Penso compreenderem a dificuldade que tive em me explicar. Afinal o menino teve uma birra. Isto não se explica. Isto traduz a apoteose da irresponsabilidade. Estes meninos (e não pondero o factor  idade, pois são mais velhos que eu) são a chacota Nacional. Ou melhor, a Chacota internacional, como tive oportunidade de testemunhar na Turquia
      Os resultados da brincadeira dos garotos foi imediata , saíram da bolsa mais de dois mil milhões de Euros, os juros da divida soberana dispararam no mercado secundário e a agencia de notação financeira S&P colocou o “rating” nacional em “Outlook” negativo. Mais, muitos analistas  ponderam agora com grande probabilidade um novo resgaste . Chamar a isto crise política é ridicularizar o próprio conceito de crise. Isto é uma hecatombe. Não há outro caminho, estes meninos merecem castigo severo. Quem lhes legitimar uma oportunidade fica irrevogavelmente ligado ao momento mais triste da democracia Portuguesa.
     Não interessa aqui a conotação ideológica. Este grave acidente nada tem a ver com esquerda ou direita. Já aqui referi, vezes sem conta, que este desastre Político e social tem o seu comando na Alemanha de Merkel. Fundamentei, não porque seja o meu desejo. Voltarei em detalhe a escrever sobre Merkel , antes das eleições legislativas de Setembro na Alemanha.
    Esta semana que passou , testemunhou, que não temos apenas um problema de governantes Incompetentes e Impreparados. Vou ser mais cruel. O governo chegou ao patamar de produto tóxico. E quando um activo numa empresa passa a ser tóxico deve ser contabilizada a “Imparidade”. Neste caso não só as empresas , é a sociedade que tem que se livrar desta “Imparidade”. Isto, meus amigos, é IRREVOGAVEL
Um abraço
Joaquim

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Porque falha Jesus?

      O falhanço em todos os momentos decisivos é agora factual. Estou desiludido, mas não surpreendido. Já sabíamos que Jorge Jesus falhava com as equipas grandes (Porto, Barcelona, Chelsea, …). Ficamos agora a saber que também falha com as equipas pequenas em momentos decisivos (Estoril, Guimarães ,..) . A questão que se coloca: porque é que isto acontece? Dirão muitos, porque isto é futebol e nada a priori está garantido. De acordo. Mas sugiro estudar o “caso” Jorge Jesus, como atípico, mas paradoxalmente representativo.
        Jesus sabe da sua profissão. É um excelente conhecedor dos aspectos meramente futebolísticos. É justamente referenciado como o mestre da táctica. Tudo isto é relevante, mas será suficiente para liderar uma grande equipa? Não é, na minha perspectiva. Não é sequer o factor decisivo para o sucesso. Consigo fazer uma analogia a outros sectores profissionais. Contra mim falo, mas por exemplo, para liderar uma organização não temos que ter um Financeiro ou Economista. Quantas e quantas empresas têm como CEO um Engenheiro Mecânico, Electromecânico ou Civil. Outras são lideradas por Advogados ou até Arquitectos. Mais ainda, outras por “gestores” sem qualquer qualificação, mas com sucesso.
       Ora, cada vez mais os factores técnicos são importantes mas não decisivos. Muito menos diferenciadores. Tenho, também, cada vez mais claro que é a gestão emocional, que influencia o sucesso. Um líder pode não dominar tecnicamente todas as áreas, mas deve promover o “coaching” e o “teambuilding” aos seus. Deve incutir ambição. Desenvolver dando o exemplo. Transmitir entusiasmo. Motivar, fixando objectivos tangíveis.
     Jorge Jesus, fez tudo ao contrário. Revelou-se um péssimo gestor de Recursos Humanos. Geriu mal as expectativas. Transmitiu uma mensagem de medo. Inferiorizando os jogadores, em vez de lhes incutir Confiança. Desculpou-se antes de jogar. Sobrevalorizou os pontos fracos. como por exemplo o cansaço da equipa. Fez o ridículo de na prévia do jogo de Amesterdão, desculpar-se com a quantidade de jogos acumulados, quando o adversário (Chelsea) tinha realizado muitos mais. Isto sim, cansou mentalmente os jogadores,…
               
    Porque não sou comentador, muito menos de futebol, e principalmente porque na vertente desportiva não faço um “comício” em função de um resultado, deixo-vos na integra o artigo que aqui escrevi em Outubro de 2012 . Infelizmente tinha razão, na “Crucificação de Jesus”. O tempo parece-me também dar-me razão na transposição que aqui fiz em relação ao Primeiro Ministro.(Leiam, são apenas 3 minutos)






 “12 Outubro 2012”
Jorge Jesus, o vencido deslumbrado

     Hoje vou escrever-vos sobre futebol, mas também com uma transposição directa á situação política e social que vivemos. Sou adepto e sócio do Benfica. Tenho dois cativos anuais que renovo todos os anos. Isso não me impede de fazer autocritica. Pelo contrario, dá-me mais lucidez critica.

       A semana passada não falhei esse imperdível duelo Benfica VS Barcelona.
Estádio cheio, a transbordar de emoções e expectativas. Muita cor e muito orgulho de todos neste glorioso clube. Estava do outro lado um super Barça. Mas mesmo assim espera-se um duelo, reitero. Só que esse duelo não existiu. Ouve uma equipa que desistiu antes do jogo começar. Como todos sabemos a grandeza deste desporto prima por não haver vencedores antecipados. Nem sempre ganha o mais forte, e muitas vezes ganha o mais determinado e concentrado. O mais aguerrido consegue, tantas vezes, suplantar o mais talentoso. Perde quase sempre o que se auto inferioriza. O que se diminui. Uma certeza : é sempre derrotado o que se deslumbra com o adversário. Surpreendentemente isso aconteceu neste Benfica-Barça. É absolutamente normal o Barça ganhar ao Benfica dois a zero. Mas é reprovável um clube com o SLB estender, vergonhosamente, a passadeira ao seu adversário. Fiquei chocado. O Benfica corporizou uma atitude patética de plena subserviência. Não estou a exagerar, pois constato que equipas muito mais fracas, como o Getafe ou Levante, deram mais luta e mostraram muito mais dignidade quando defrontaram o mesmo Barça. O empenho, a agressividade, e a ambição não se alienam, senhor Jorge Jesus!

    Arrepiante atitude, mas percebi logo a seguir porquê. Já no carro, ouvi a conferencia de imprensa do treinador. O que o Líder transmitiu á sua equipa antes e depois do jogo ,foi a teoria dos “coitadinhos” que estavam a jogar com a melhor equipa do mundo. Tendo a lata de referenciar que o Benfica afinal tinha jogado muito bem, mas que jogava contra extraterrestres. Fiquei perplexo. Este comportamento, deplorável, daria direito a despedimento numa empresa que luta todos os dias por melhorar a sua performance. Quer dizer que o sr: Jesus já tinha desistido, á priori, de querer ganhar o jogo, e que afinal queria era perder por poucos !! Impressionante vassalagem !  

    Mais, pensava eu, que esta mentalidade retrógrada já não existia. Que esse tempo tinha acabado. Pensava eu que esta mentalidade medíocre já estava banida no actual futebol Português. Até por uma razão muito simples : Portugal vende, através do futebol, uma marca de excelência á escala global. A provar isso está o facto de esta semana, a selecção Nacional ter subido ao terceiro lugar do raking FIFA. Terceiro Lugar!,… e só estamos a falar do desporto mais mediático do planeta ! Em quantos outros sectores de actividade nos posicionamos neste patamar !? Nenhum. Mais ainda quando falamos em termos absolutos. Não está corrigido por nenhum ratio populacional ou complexo geográfico. Dirão alguns dos meus amigos : mas do que nos serve termos uma boa Industria do futebol ? Ficarão surpreendidos se vos disser que o futebol é na Europa o sétimo sector de actividade económica que mais contribui para o Produto Interno Bruto. E nosso caso, produzimos e exportamos em grande escala !

     Voltando a Jorge Jesus, reconheço que este homem sabe de futebol. Muitos o intitulam como o mestre da táctica. Concordo. Sendo essa uma vantagem , não é o factor primordial. Muito menos decisivo no sucesso. Defendo que a Liderança de uma organização está longe de se esgotar na questão técnica. Pelo contrario, é a gestão emocional que hoje diferencia os resultados finais. É a gestão comportamental que incute ambição. É a gestão da mente que faz valorizar os pontos fortes em detrimento das fragilidades. Cada vez mais os factores de ordem emocional e comportamental ganham vantagem em relação á boa utilização da técnica quantitativa. Esses factores abrangem domínios como o “coaching” , a gestão do stresse , a gestão de conflitos , a comunicação eficaz, a gestão do tempo, os índices de motivação. É fulcral o “teambuiding” para atingir os objectivos.
      Jesus sabe de futebol, mas é um péssimo líder. Um medíocre gestor de recursos humanas. Há dois anos perdeu em toda a linha para o Jovem André Vilas Boas. Nos resultados, mas principalmente na comunicação verbal.

      Em antítese a Jorge Jesus, dou-vos um exemplo que a maior parte concordará. 
Jose mourinho pode até não perceber tanto de táctica com Jesus, mas é irrepreensivelmente muito melhor Manager que Jorge Jesus. Sade liderar. Sabe incutir ambição e confiança. É um extraordinário Gestor de Recursos Humanos .Sabe lidar com a variável emocional. Não se inferioriza. Tira a pressão aos jogares concentrando-a em si próprio.. Pode não ser consensual na critica ( como ninguém o é ) , mas é Unânime do reconhecimento e gratidão da parte de todos os seus subordinados. Não há registos de apontamentos negativos de um jogador treinado por Jose Mourinho. Esta analise é muito interessante. Porque nunca, mas nunca , o vi deslumbrado com qualquer adversário..   Resultado inequívoco: Mourinho é um ganhador nato. Mourinho não tem complexo de pequenez. Tem orgulho de ser Português. Isto é, na minha opinião, absolutamente notável.  

      A subserviência de Jorge Jesus ao Barça é análoga á de Passos coelho
a Angela Merkel. Como já escrevi, Mario Draghi ousou confrontar Merkel e ganhou. Através dos Instrumentos do BCE segui um caminho diferente. Por uma vez a Alemanha de Merkel foi derrotada, e os mercados reagiram quase apoteoticamente . Alguma duvida ? Não. Esta foi a única boa noticia que o governo Português aferiu no seu mandato. Os juros baixaram, a pressão sobre a crise da Divida foi atenuada. O que é inacreditável é que Passos Coelho torceu o nariz ao pragmatismo de Draghi em abono a sua “chefe” Angela. Ou seja , o nosso Primeiro Ministro não apoio a única boa noticia concedida aos Portugueses . Isto é irreal, para não dizer trágico, meus amigos.
      Até o FMI nos surpreendeu esta semana. Emite um relatório onde faz meia culpa, e reconhece o erro do excesso de autoridade que requereu. Isto é gravíssimo , uma vez que muitos perderam o emprego e grande parte do tecido empresarial foi destruído. Com tantos avisos como é possível errar , destruindo tantas vidas humanas ? Pois, mais vale tarde que nunca diz sabiamente o povo. A questão agora é : até quando Merkel vai insistir no desastre o e nos levar ao abismo ? até quando teremos ,em nossa casa, governantes Cobardes , submissos e DESLUNBRADOS com os erros (!) dos mais poderosos ??

      Já aqui escrevi sobre a letargia do PROVINCIANISMO de Passos Coelho. O DESLUMBRAMENTO de Jorge Jesus é a mesma face da mesma moeda. Da má moeda, sublinhe-se.

Um Abraço
Joaquim Marques

sábado, 25 de maio de 2013

O (não) exemplo Islandês .

       Hoje vou falar bem do meu País , em contraponto, ao (não) exemplo Islandês. Não porque o nosso momento seja bom, muito menos exemplar. Longe disso. Nem na vertente da performance da Economia, nem na variante social. Ao contrario, o falhanço é pleno em todas as metas que foram delineadas. A promessa do empobrecimento, essa sim, foi cumprida na plenitude . E, infortunadamente, de uma forma confrangedora e eficaz. A economia afunda-se, e o caminho para o colapso total é agora curto. Requer-se uma Inflexão urgente para reverter este desastre anunciado.  
         Ora, isso não justifica a esquizofrenia insuportável de muitos comentadores quando nos querem iludir com exemplo Islandês. Fico perplexo quando vejo escrito, vezes sem conta, que esse foi exemplar, face o pleonasmo. Que a solução de sair da crise passa, por seguir-mos o mesmo caminho. Discordo em absoluto. Nada mais enganoso, e defendo-o  com toda a convicção. Para facilmente fundamentar porque assim penso, começo por uma constatação sem contraditório. A Islândia faliu, enquanto Portugal está num processo de assistência financeira. A Islândia era um dos Países mais prósperos do mundo. Liderava, ou estava no topo de todos os “rakings” de bem estar. Como por exemplo no “Índice de desenvolvimento humano”.  E,.. colapsou . Colapsou no coração da sua economia, no sistema financeiro, pelo rebentamento da bolha imobiliária.
   Mas como era um País com moeda própria, optou pelo caminho mais fácil . Desvalorizou 70% a sua moeda em relação ao Euro. Esta correcção aconteceu de um dia para outro. O significado pratico é muito simples : também de um dia para o outro os Islandeses viram o seu poder de compra ser corrigido em 70%. De um dia para o outro empobreceram dramaticamente.
    Obviamente que este brutal ajustamento tem uma componente positiva. Tudo aquilo que a Islândia produz passa a ser altamente competitivo pela via das exportações. Verdade que esse efeito acaba por gerar emprego e induz em crescimento económico. Mas vamos á analise dos números que surpreenderam os nossos pseudo “fazedores de opinião”. Ao fim de algum tempo a economia cresceu 3,5% . Parece um bom rácio na conjuntura global, certamente. Mas absolutamente irrisório se comparado com o “downgrade” de 70% que referi . O balanço é assustadoramente negativo. Mas os nossos analistas ficaram altamente DESLUMBRADOS com este desempenho. Ridículo.
   Em Portugal, estamos perante uma conjuntura decepcionante , como referi ao principio, mas apesar de tudo positivamente diferençável do caos Islandês.
    Tudo isto na Economia . Mas fico também esclarecido quanto á “massa” que compõem o celebro  dos nossos “opinion Makers” . E agora em relação ao julgamento de Políticos. Também aqui todos ficaram deslumbrados por os Governantes Islandeses  terem ido a julgamento ,em tribunais civis, pelos danos causados pelas suas Politicas. Até o Primeiro Ministro foi a julgamento. Sim, Isso é Verdade. Toda a gente aplaudiu .  Ora, interessa saber o resultado. Pois bem, foram todos absolvidos, sem excepção !  Só que isso já não foi noticia. Isso já não empolgou os “media” Portugueses.
  Mais ainda, a Islândia foi a eleições legislativas á 3 semanas atrás . E sabem o que é surpreendente !?  Ganhou o mesmo partido que levou o País á Bancarrota!!  E aqui como uma particularidade inédita. Este partido de centro direita que ganhou as eleições foi o mesmo que governou durante 17 anos ( repito 17!!) e que levou a Islândia ao abismo. De lapidar !   Aqui não há desculpas de heranças de governos anteriores !  
       Percebem agora, os meus amigos, quando referencio o “não” exemplo Islandês. Mas para mim esta constatação é também elucidativa , daquilo que há muito escrevo como o pior défice da nossa Democracia . A ausência de MASSA CRITICA. O País é claramente melhor que as elites que o representam.
    Este DESLUMBRAMANTO (reincido na carga negativa deste adjectivo) permanente pelo que vem “ de fora”  é a maior das forças de bloqueio da nossa sociedade. Esta humilhante submissão, não se justifica por ser-mos a mais jovem democracia da Europa. Esta mentalidade retrógrada, não se desculpa. Altera-se.
   Neste caso que hoje descrevo, estava longe de imaginar que este PROVINCIANISMO BACOCO também era extensível á Economia !!!  Populismo na Economia é doença grave.
Um grande abraço
Joaquim

sábado, 26 de janeiro de 2013

Regresso aos Mercados: O Sucesso e a Hipocrisia

      Regozijo-me com todas as boas notícias para o meu País. O regresso aos mercados é uma extraordinária notícia. É um momento histórico, até porque a história poderia aqui acabar. A colocação de divida foi um sucesso. A procura excedeu as expectativas, o que indexou um juro relativamente baixo, apesar de superior ao actual que nos é cobrado pela Troika . Esta exposição aos mercados, apesar de simbólica, é uma janela de oportunidade que pode funcionar como âncora ao financiamento da nossa Economia, dos nossos bancos e empresas. Este é um dado significativo que pode fazer com que o crescimento económico e a criação de emprego, não sejam palavras vãs. Acho até, por bem, as boas notícias serem celebradas. O governo tem também essa legitimidade. Foi meritório o trabalho técnico, por exemplo, da Secretaria de estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque.     
      Tudo isto, dito desta forma faz sentido. Mas existe aqui um problema que fere de morte a Legitimidade deste governo cantar vitória. Já lá vamos. Queria antes recordar aos meus queridos amigos o que aqui escrevi a alguns meses atrás nos artigos ( “Passos Coelho, o Provinciano” ,e “Jorge Jesus, o deslumbrado vencido” ), quando tentei explicar, na minha opinião, as potenciais soluções para a  Crise da divida e os instrumentos exequíveis á disposição do banco Central Europeu ( BCE) :
«« Mario Draghi ousou confrontar Merkel e ganhou. Através dos Instrumentos do BCE segui um caminho diferente. Por uma vez a Alemanha de Merkel foi derrotada, e os mercados reagiram quase apoteoticamente. Alguma duvida ? Não. Esta foi a única boa noticia que o governo Português aferiu no seu mandato. Os juros baixaram, a pressão sobre a crise da Divida foi atenuada. O que é inacreditável é que Passos Coelho torceu o nariz ao pragmatismo de Draghi em abono a sua “chefe” Angela. Ou seja , o nosso Primeiro Ministro não apoiou a única boa noticia concedida aos Portugueses . Isto é irreal, para não dizer trágico, meus amigos.»»
     Escrevia no Verão passado, e o tempo deu-me razão. O Super Mario Draghi representa a única vitória de uma Europa vencida pela política errática que prossegue. Com as iniciativas de compra de divida no mercado secundário e a fixação de um patamar record de 0,75% da taxa de referencia do BCE , os juros não param de descer, e a divida dos Países em dificuldades ficou blindada a efeitos especulativos. Passados alguns meses estes são os resultados : A Irlanda foi aos mercados , Portugal fê-lo esta semana, a Espanha e Itália financiam-se agora as taxas competitivas , e mais notável ainda : a Grécia não saiu da zona Euro.  
    Draghi é a figura emergente desta Europa cansada dos seus Líderes. É agora Irónico ver os Políticos festejarem as conquistas de Darghi, as quais antes se oponham e na primeira linha com Merkel, como lembrei, em Junho do ano passado. É esta a hipocrisia que queria lembrar, e pelo que li, não foi devidamente focalizada na comunicação social. Mas mais absurdo é quando nos vem dizer que o sucesso desta emissão de divida acontece pela credibilidade do nosso governo. É atroz e inqualificável. Mas qual credibilidade? A do falhanço de défice (se excluirmos as receitas extraordinárias, lodo irrepetíveis)? A do falhanço da divida (que chegou agora ao valor record de 120% do PIB) ? A do falhanço do crescimento económico? Ou como nos querem vender, o sucesso deve-se a uma questão de confiança. Mas confiança em quê? Em nos terem dito que 2012 era um ano de transição e que o crescimento vinha em 2013?  Depois era 2014 ! agora já falam em 2016 !?  Mais grave que o falhanço total nestes ratios, é o rasto que vai deixar na Economia. A mesma que está prestes a implodir com Impostos, austeridade e desemprego. Este “status” sim, vai ser um herança insuportável!
     Já se percebeu que na perspectiva do nosso Governo  e de alguns comentadores , as boas noticias  são méritos do executivo, mas quando a “coisa” corre mal a culpa é do anterior governo. Será que depois de tanta exaltação de Pseudo méritos, ainda vão ter “ lata” de voltar a culpar o passado, nos próximos dois anos de mandato!? Este é o argumento dos fracos. Este é o argumento de quem perde o debate Político.
    Elogiei o trabalho da Secretaria de Estado, mas foi confrangedor ver, por exemplo, Paulo Portas aos “pulinhos” de satisfação com omnipresença nas televisões. O mesmo Portas que na altura de dificuldades como a trapalhada da TSU , andava em missões diplomáticas no mundo árabe ! Deplorável.  Sinceramente, já me “enoja” ver todos os dias os medíocres e os impreparados a por a culpa sempre aos outros. Já me “enoja” os incapazes a acobardarem-se pela cultura da maledicência.
   Concluo, como comecei, estas são boas noticias para o nosso País e para a Europa. É um passo simbólico, mas paradoxalmente significativo para o financiamento da Economia. Como na altura comentei, Draghi  estava certo no “timing”. Lançou um “míssil” e acertou em cheio no abismo da política de Merkel. Foi suficiente? Não, longe de isso. A questão estrutural e política continua permutativa e não modificativa. Os que perderam o debate, não reconhecem os méritos de quem ousou ganhar. Logo não vão mudar.
Um abraço a todos
Joaquim

domingo, 16 de dezembro de 2012

Equidade Fiscal

Era uma vez dez amigos que se reuniam todos os dias numa cervejaria para beber e a factura era sempre de 100 euros. Solidários, e aplicando a teoria da equidade fiscal, resolveram o seguinte:

- os quatro amigos mais pobres não pagariam nada;
- o quinto pagaria 1 euro;
- o sexto pagaria 3;
- o sétimo pagaria 7;
- o oitavo pagaria 12;
- o nono pagaria 18;
- e o décimo, o mais rico, pagaria 59 euros.

Satisfeitos, continuaram a juntar-se e a beber, até ao dia em que o dono da cervejaria, atendendo à fidelidade dos clientes, resolveu fazer-lhes um desconto de 20 euros, reduzindo assim a factura para 80 euros. Como dividir os 20 euros por todos? Decidiram então continuar com a teoria da equidade fiscal, dividindo os 20 euros igualmente pelos 6 que pagavam, cabendo 3,33 euros a cada um.

Depressa verificaram que o quinto e sexto amigos ainda receberia para beber. Gerada alguma discussão, o dono da cervejaria propôs a seguinte modalidade que começou por ser aceite:

- os cinco amigos mais pobres não pagariam nada;

- o sexto pagaria 2 euros, em vez de 3, poupança de 33%;
- o sétimo pagaria 5, em vez de 7, poupança de 28%;
- o oitavo pagaria 9, em vez de 12, poupança de 25%;
- o nono pagaria 15 euros, em vez de 18.
- o décimo, o mais rico, pagaria 49 euros, em vez de 59 euros, poupança de 16%.

Cada um dos seis ficava melhor do que antes e continuaram a beber. No entanto, à saída da cervejaria, começaram a comparar as poupanças.

-Eu apenas poupei 1 euro, disse o sexto amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!... Não é justo que tenhas poupado 10 vezes mais...

- E eu apenas poupei 2 euros, disse o sétimo amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!...Não é justo que tenhas poupado 5 vezes mais!...

E os 9 em uníssono gritaram que praticamente nada pouparam com o desconto do dono da cervejaria. "Deixámo-nos explorar pelo sistema e o sistema explora os pobres", disseram. E rodearam o amigo rico e maltrataram-no por os explorar.

No dia seguinte, o ex-amigo rico "emigrou" para outra cervejaria e não compareceu, deixando os nove amigos a beber a dose do costume. Mas quando chegou a altura do pagamento, verificaram que só tinham 31euros, que não dava sequer para pagar metade da factura!...

Aí está o sistema de impostos e a equidade fiscal. Os que pagam taxas mais elevadas fartam-se e vão começar a beber noutra cervejaria, noutro país, onde a atmosfera seja mais amigável!..."

Representativo e bem actual
Um Abraço
Joaquim

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eleições nos Estados Unidos, a decisão: PROGRESSO VS RETOCESSO.

    Estão á porta as eleições nos Estados Unidos. De quatro em quatro anos, na primeira terça feira (Super Tuesday) de Novembro, o planeta fica suspenso a aguardar a decisão da eleição Americana. Isto, porque mais que qualquer outra eleição Democrática, esta vai influenciar a vida de todos, directa ou indirectamente. Tenho uma ideia clara e penso que inequívoca dos dois candidatos, mas antes disso vou-vos dar a minha opinião como vejo, hoje, os Estados Unidos.
    A ideia de um País Consensual é um mito sedutor. Existem duas Américas destintas e até antagónicas. Por um lado existe uma América: Progressista, Cosmopolita, Inovadora, Desenvolvida, Aberta e Tolerante. Do outro lado existe uma outra América visivelmente antagónica. Uma América profunda, Conservadora, Retrógrada, Inculta, Rural, Intolerante e profundamente Religiosa. Desde já clarifico que nada tenho contra a religião, até porque tenho uma formação Católica, Mas tenho tudo contra os fundamentalistas fanáticos que procuram “vender” e impor aos outros os seus princípios extremistas. Ou aqueles que se auto intitulam donos da verdade absoluta e do puritanismo Religioso.
   A primeira América que referencio está concentrada nas duas costas(Este e Oeste) e nos grandes Centros Urbanos como : Nova York, Lós Angeles, Chicago, Detroit. A outra América profunda encontra-se nos estados interiores como : Kansas, Oklahoma, Arkansas, Arizona. Sem qualquer pretensiosismo, nem querendo generalizar, diria que a América profunda vota no partido Republicano e a América Progressista vota no Partido Democrata.
     Conheço quatro estados dos estados Unidos : Florida, Nova York, Pensilvânia e Ohio. Em dois destes estados (Florida e Ohio) mais a Virgínia vai decidir-se a eleição do Presidente dos Estados Unidos. A história diz que quem ganha nestes três estados ganha a eleição Presidencial. Os três estados representam “apenas” cerca de 40 milhões do total do Universo dos eleitores, que são 310 Milhões. A importância destes estados explica-se por dois factores: Primeiro porque em todos os outros estados tudo está decidido. Como referenciei atrás existe um fosso cultural que indexa á priori a preferência partidária. O outro factor tem a haver com o sistema eleitoral americano. A participação no colégio eleitoral, é representado por um só partido em cada estado. Quer isto dizer que um só voto de diferença é suficiente para o partido ganhador ficar com todos os delegados desse estado. Este sistema eleitoral é naturalmente apontado por todos como ultrapassado e obsoleto. O mais grave é que pode não ser representativo das intensões de voto. Isso aconteceu em 2000 , na primeira eleição de George W. Bush , contra Al Gore. Bush teve menos votos , mas elegeu mais delegado , logo foi eleito Presidente para mal dos nosso pecados .Não suscita hoje duvidas a ninguém!..

    Outro factor que diferencia os Republicanos dos Democratas é o belicismo Republicano. Todos se lembram da guerra das estrelas do Presidente Ronald Reagan, que apesar de ter sido um razoável Presidente deixou um País Ultra endividado. A seguir tivemos o inicio do pesadelo Americano, pela via dos Presidentes Republicanos : Bush Pai e Bush Filho. Este ultimo para vingar os caprichos do seu progenitor inventou a Guerra do Iraque, falsificando eventuais provas da existência de armas de destruição maciça. Aqui começou a decadência da economia global. O mundo foi arrastado para um conflito armado inútil. O ódio Muçulmano contra o Ocidente subiu exponencialmente e implodiu numa ruptura Religiosa. Esta fragmentação resultou em permanentes ataques terroristas. O medo foi generalizado e acabou por ajudar a aniquilar a Economia.
    A outra visão da América que vos falava pela positiva, foi protagonizada pela administração Clinton. Em antítese ao ideal Republicano este Democrata brindou-nos como a maior prosperidade económica da história dos Estados Unidos. E sabem qual foi a formula simples? foi a primazia pela Economia que indexou prosperidade e mais equilíbrio social. A economia é tudo menos uma ciência exacta. Bill Clinton demonstrou que é a expansão económica a melhor receita para resolver os problemas do défice e da divida. Na Administração Clinton os Estados Unidos registaram um superavit orçamental. Esta é uma questão fundamental, meus amigos. O idealismo protagonizado pela extrema direita leva ao empobrecimento, fragiliza as contas publicas, e acentua o fosso social.
    Ora, o sucesso dos Estados Unidos da era Clinton, contaminou positivamente o resto do planeta, como sempre acontece. O problema veio a seguir. A grande contracção da Economia aconteceu no mandato de George W. Bush. Curiosamente ou não em mais uma Administração Republicana. A desastrosa gestão Bush mergulhou o mundo na maior crise da História, só comparável com a grande depressão iniciada em 1929. E mais uma vez voltou o belicismo Republicano em detrimento da expansão Económica. Geroge W. Bush envergonhou os Norte Americanos aos olhos do mundo. Verdade seja dita que o hoje o mundo começa a ridicularizar a Europa de Angela Merkel ,quase da mesma forma.

    Volto agora aos actuais candidatos. Barak Obama inverteu definitivamente a trajectória de decadência que estamos a assistir á quatro anos atrás. Isto acontece em condições tremendamente difíceis. Mais ainda quando temos uma Europa paralisada e na iminência de uma ruptura no seio da União Europeia. No entanto a Economia Americana inverteu a tendência anterior e agora cresce e cria empregos. Para além disso , o Terror foi banido. Já notaram que não ouve um ataque terrorista aos Estados Unidos nos Últimos quatro anos? A frase mais brilhante desta campanha e fatal para os seus opositores foi proferida por Joe Biden (Vice de Obama) : «Bin Laden is dead and General Motores is alive» Impossível o contraditório. Este é o “desvio Colossal” que separa os dois candidatos. Sabemos o valor emblemático da General Motores para os Americanos. Esse valor tema a haver com o sucesso do Modelo Economico que idealizam, e que culmina com o tão proclamado “Sonho Americano”. Uma sociedade livre que privilegia a economia e as liberdades individuais. Paradoxalmente, é pela via dessa combinação que se melhora a formula para o bem estar colectivo. São as liberdades Individuais que sustentam a legitima preocupação colectiva. Ora a preocupação social abona a favor de Obama. Defendeu na campanha eleitoral um serviço Nacional de saúde para todos. Como é possível na sociedade mais desenvolvida do mundo 40 milhões de pessoas não ter acesso ao seu bem estar mais elementar como o é a Saúde. Nos Estados Unidos é vedada a entrada nas Urgências dos cidadãos que não tenham um seguro de Saúde. Um Hospital antes de perguntar pelo estado de saúde do doente, pergunta pela apólice de seguro. É cruel e incompreensível no País que respira Democracia. Obama cumpriu, e tornou a Saúde acessível a todos. Liderou a mudança de paradigma e mentalidade. Nada mais complexo na sociedade Americana. Mas é neste enquadramento que emergem os grandes estadistas. A obra de um Político é valorizada sempre á posterior. Estou convencido que isso acontecerá com Obama, e que ficará na galeria dos notáveis. Como ficaram outros grandes estadistas que lideraram a América em situações de grande dificuldade. Franklin Roosevelt que liderou o País a seguir a grande Depressão e durante segunda guerra mundial. Ou Abraham Lincoln que em 1860 governou durante a Guerra Civil Americana, e conseguiu preservar a União e abolir a escravatura.

     O partido Republicano brinda-nos com o seu pior : Mitt Romney. Escolheu um fanático, que agrada á outra América profunda e retrógrada. Retrógrada porque Hipócrita. Mitt Romney é também fanático na Religião. Pertence á Igreja Mórmom (Igreja dos Santos dos Últimos dias) , que defende, por exemplo, a auto-suficiência num mundo cada vez mais global. Defendem a virtude absoluta em detrimento das falhas que os próprios julgam ás outras regiões. Até agora existia o “Tea Party”, como a pior das variantes do partido Republicano. Estes defendem uma sociedade Anárquica e sem impostos , ondem imperam apenas os mais fortes. Desconfio que Mitt Romney envergonharia até o próprio “Tea Party” . Os mais desatentos a esta facção civilizacional, seguramente conhecem Mitt Romney pela sua mais que evidente incompetência. Como é possível o mundo ser liderado por uma personagem que por onde passa fica conhecido pela “chacota” do ridículo . Aqui vou deixo algumas das gafes :
      Afirmou que os Árabes palestinos são culturalmente inferiores. Como se pode governar perante tal insensibilidade ?. Na véspera de visitar o Reino Unido afirmou que Londres não estava preparado para a Olimpíada , criando um incidente diplomata. Comunicou aos Jornalistas que não pode responder a mais de 3 perguntas numa viajem ( pois , pudera !). Disse que os seus eleitores pagam impostos para 47% dos eleitores Americanos que votam em Obama e se que fazem de vitimas e dependem do governo/subsídios: Laconicamente disse : « eles acham que têm direito a saúde , comida e casa». Baralhou-se na geografia em relação á Síria ao dizer que a Síria de Bashar al-Assad tem importância estratégica para o Irão , pois « é sua rota para o mar». Interrogou-se «porque é que não é permitido abrir as janelas dos aviões !?» Apresentou o seu candidato a vice-presidente, Paul Ryan, como «the next President of United States». Outra Gafe Brutal ( ou não !) foi quando Romney escreveu em Novembro de 2008 no NYT um artigo com o Titulo : “Deixem Detroit ir á Bancarrota” no intuito de atacar o resgate que Obama fez á Industria automóvel. Todos nos interrogamos: é este senhor digno de ser o homem mais poderoso do Universo? Apetecesse dizer : era só mesmo o que nos faltava!

   Vamos ver se o furacão Sandy não vai condicionar a eleição. Penso que não. O governador Republicano de New Jersey elogiou o trabalho da equipa de Obama. Recordam-se da forma desastrosa com que Bush lidou cm o Katrina em 2005? Ou a incapacidade de liderar o País num momento de desgraça. Também nesta matéria Romney mostrou insensibilidade e visão curta ao ter defendido há poucos meses num artigo no New York Times a descentralização e até privatização do FEMA , a agencia nacional que coordena os desastres naturais. Quer dizer que o resgate das pessoas poderia ser feito em função do nível de rendimentos – esta foi uma eventual interpretação, mas que não deixa de ser caricata. Mas não tenham duvidas que esta é visão redutora e medíocre de uma certa facção da Sociedade. Mitt Ronmey não está interessado em criar mais riqueza. Está interessado em concentrar mais riqueza, e afundar ainda mais o ratio da desigualdade. Como por exemplo o facto de 1% dos mais ricos deterem 90% da riqueza. Daí o movimento “Ocupem Wall Street”

   Espero a confirmação de boas noticias na terça feira. Volto a reiterar : era só mesmo o que nos faltava outra desgraça a seguir ao desastre Europeu. No contexto Político actual em Portugal esta tragédia seria protagonizado pelo seguidismo e cegueira do bom aluno da errática política de Merkel. Qualquer coisa como , ser-mos um duplo bom aluno : De Merkel e Romney ?! conseguem imaginar o terror !?

   Apoio Barack Obama, pelo que acabo de defender. Rejeito convictamente os que rejubilam com a apologia da pobreza, como hoje esta na moda.


Um abraço

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Jorge Jesus, o vencido deslumbrado

    
      Hoje vou escrever-vos sobre futebol, mas também com uma transposição directa á situação política e social que vivemos. Sou adepto e sócio do Benfica. Tenho dois cativos anuais que renovo todos os anos. Isso não me impede de fazer autocritica. Pelo contrario, dá-me mais lucidez critica.

       A semana passada não falhei esse imperdível duelo Benfica VS Barcelona.
Estádio cheio, a transbordar de emoções e expectativas. Muita cor e muito orgulho de todos neste glorioso clube. Estava do outro lado um super Barça. Mas mesmo assim espera-se um duelo, reitero. Só que esse duelo não existiu. Ouve uma equipa que desistiu antes do jogo começar. Como todos sabemos a grandeza deste desporto prima por não haver vencedores antecipados. Nem sempre ganha o mais forte, e muitas vezes ganha o mais determinado e concentrado. O mais aguerrido consegue, tantas vezes, suplantar o mais talentoso. Perde quase sempre o que se auto inferioriza. O que se diminui. Uma certeza : é sempre derrotado o que se deslumbra com o adversário. Surpreendentemente isso aconteceu neste Benfica-Barça. É absolutamente normal o Barça ganhar ao Benfica dois a zero. Mas é reprovável um clube com o SLB estender, vergonhosamente, a passadeira ao seu adversário. Fiquei chocado. O Benfica corporizou uma atitude patética de plena subserviência. Não estou a exagerar, pois constato que equipas muito mais fracas, como o Getafe ou Levante, deram mais luta e mostraram muito mais dignidade quando defrontaram o mesmo Barça. O empenho, a agressividade, e a ambição não se alienam, senhor Jorge Jesus!

    Arrepiante atitude, mas percebi logo a seguir porquê. Já no carro, ouvi a conferencia de imprensa do treinador. O que o Líder transmitiu á sua equipa antes e depois do jogo ,foi a teoria dos “coitadinhos” que estavam a jogar com a melhor equipa do mundo. Tendo a lata de referenciar que o Benfica afinal tinha jogado muito bem, mas que jogava contra extraterrestres. Fiquei perplexo. Este comportamento, deplorável, daria direito a despedimento numa empresa que luta todos os dias por melhorar a sua performance. Quer dizer que o sr: Jesus já tinha desistido, á priori, de querer ganhar o jogo, e que afinal queria era perder por poucos !! Impressionante vassalagem !  

    Mais, pensava eu, que esta mentalidade retrógrada já não existia. Que esse tempo tinha acabado. Pensava eu que esta mentalidade medíocre já estava banida no actual futebol Português. Até por uma razão muito simples : Portugal vende, através do futebol, uma marca de excelência á escala global. A provar isso está o facto de esta semana, a selecção Nacional ter subido ao terceiro lugar do raking FIFA. Terceiro Lugar!,… e só estamos a falar do desporto mais mediático do planeta ! Em quantos outros sectores de actividade nos posicionamos neste patamar !? Nenhum. Mais ainda quando falamos em termos absolutos. Não está corrigido por nenhum ratio populacional ou complexo geográfico. Dirão alguns dos meus amigos : mas do que nos serve termos uma boa Industria do futebol ? Ficarão surpreendidos se vos disser que o futebol é na Europa o sétimo sector de actividade económica que mais contribui para o Produto Interno Bruto. E nosso caso, produzimos e exportamos em grande escala !

     Voltando a Jorge Jesus, reconheço que este homem sabe de futebol. Muitos o intitulam como o mestre da táctica. Concordo. Sendo essa uma vantagem , não é o factor primordial. Muito menos decisivo no sucesso. Defendo que a Liderança de uma organização está longe de se esgotar na questão técnica. Pelo contrario, é a gestão emocional que hoje diferencia os resultados finais. É a gestão comportamental que incute ambição. É a gestão da mente que faz valorizar os pontos fortes em detrimento das fragilidades. Cada vez mais os factores de ordem emocional e comportamental ganham vantagem em relação á boa utilização da técnica quantitativa. Esses factores abrangem domínios como o “coaching” , a gestão do stresse , a gestão de conflitos , a comunicação eficaz, a gestão do tempo, os índices de motivação. É fulcral o “teambuiding” para atingir os objectivos.
      Jesus sabe de futebol, mas é um péssimo líder. Um medíocre gestor de recursos humanas. Há dois anos perdeu em toda a linha para o Jovem André Vilas Boas. Nos resultados, mas principalmente na comunicação verbal.

      Em antítese a Jorge Jesus, dou-vos um exemplo que a maior parte concordará. 
Jose mourinho pode até não perceber tanto de táctica com Jesus, mas é irrepreensivelmente muito melhor Manager que Jorge Jesus. Sade liderar. Sabe incutir ambição e confiança. É um extraordinário Gestor de Recursos Humanos .Sabe lidar com a variável emocional. Não se inferioriza. Tira a pressão aos jogares concentrando-a em si próprio.. Pode não ser consensual na critica ( como ninguém o é ) , mas é Unânime do reconhecimento e gratidão da parte de todos os seus subordinados. Não há registos de apontamentos negativos de um jogador treinado por Jose Mourinho. Esta analise é muito interessante. Porque nunca, mas nunca , o vi deslumbrado com qualquer adversário..   Resultado inequívoco: Mourinho é um ganhador nato. Mourinho não tem complexo de pequenez. Tem orgulho de ser Português. Isto é, na minha opinião, absolutamente notável.  

      A subserviência de Jorge Jesus ao Barça é análoga á de Passos coelho
a Angela Merkel. Como já escrevi, Mario Draghi ousou confrontar Merkel e ganhou. Através dos Instrumentos do BCE segui um caminho diferente. Por uma vez a Alemanha de Merkel foi derrotada, e os mercados reagiram quase apoteoticamente . Alguma duvida ? Não. Esta foi a única boa noticia que o governo Português aferiu no seu mandato. Os juros baixaram, a pressão sobre a crise da Divida foi atenuada. O que é inacreditável é que Passos Coelho torceu o nariz ao pragmatismo de Draghi em abono a sua “chefe” Angela. Ou seja , o nosso Primeiro Ministro não apoio a única boa noticia concedida aos Portugueses . Isto é irreal, para não dizer trágico, meus amigos.
      Até o FMI nos surpreendeu esta semana. Emite um relatório onde faz meia culpa, e reconhece o erro do excesso de autoridade que requereu. Isto é gravíssimo , uma vez que muitos perderam o emprego e grande parte do tecido empresarial foi destruído. Com tantos avisos como é possível errar , destruindo tantas vidas humanas ? Pois, mais vale tarde que nunca diz sabiamente o povo. A questão agora é : até quando Merkel vai insistir no desastre o e nos levar ao abismo ? até quando teremos ,em nossa casa, governantes Cobardes , submissos e DESLUNBRADOS com os erros (!) dos mais poderosos ??

      Já aqui escrevi sobre a letargia do PROVINCIANISMO de Passos Coelho. O DESLUMBRAMENTO de Jorge Jesus é a mesma face da mesma moeda. Da má moeda, sublinhe-se.

Um Abraço
Joaquim Marques